E como daqui a pouco o fim de semana está de volta e o tempo instável nem sempre permite ir até à praia, hoje venho propor-lhes uma voltinha pelas Caldas da Rainha...acreditem vale a pena parar por lá e explorar calmamente tudo o que aquela peculiar cidade tem para dar.
A origem da cidade está inevitavelmente ligada aos seus recursos hidro-termais, reforçada por uma lenda sempre agradável de ouvir à mistura com os relatos da História. Reza então a lenda que, em 1484, teria por ali passado a Rainha D. Leonor, esposa de D. João II, no meio de um passeio a Óbidos e Batalha...Qual não é o seu espanto quando, em determinado local, se depara com gente do povo banhando-se em águas de intensos odores...Perante a insólita situação...( os banhos não estavam na ordem do dia, e muito menos o uso de águas de forte cheiro), a Rainha mandou parar e inquiriu o que se passava. Foi-lhe então dito que aquelas pessoas eram doentes e que se banhavam por aquelas águas terem poderes curativos...Acreditando... e padecendo de um mal sobre o qual não se entendem os historiadores (pele, úlcera ou outro), experimentou e... acreditem ou não... curou-se, logo decidindo que ali faria erguer um hospital para quem necessitasse e fundar uma povoação, cujos moradores atraiu com benefícios fiscais ( eh lá que este nosso governo se calhar deveria ir estudar História!!!Mal não lhe fazia!).
Aí se iniciava uma tradição termal com o seu auge no séc. XIX, época em que estavam na moda as estâncias termais e as Caldas eram frequentadas pelas mais nobres famílias.
A região, de caraterísticas agrícolas, mantendo até hoje o único mercado diário horto-frutícola do país...tem porém outras valências...A qualidade da sua argila que originou a construção de numerosas fábricas de cerâmica, tornou-a mesmo em certa altura num dos principais centros produtores de cerâmica em Portugal, ficando-lhe ligado nessa área o nome do famoso Rafael Bordalo Pinheiro que começou na Fábrica de Faiança das Caldas da Rainha.
A sua obra, tão especial, pode atualmente ser apreciada no Museu da Cerâmica no centro da cidade...a não perder!
Outras artes ganharam também lugar nas Caldas, com a pintura e a escultura a fazer escola pelos nomes de José Malhoa ( autor da obra que mostro acima e de muitas outras que se encontram expostas e à espera de visita no Museu com o seu nome), António Nobre e outros.
E nem pensar em partir sem descobrir, passo a passo, o parque D. Carlos I e passear livremente pela Mata da Rainha D. Leonor...!!!
À volta, mesmo a espreitar, ficam muitos sítios para visitar... Óbidos, Cadaval, Rio Maior, Alcobaça, Batalha, cada um com as suas histórias e os seus encantos...voltarei por eles...hoje não, as Caldas agora mais esquecidas, merecem-me atenção exclusiva, e sou adepta de saborear cada passeio até à exaustão em vez de saltitar de lugar para lugar...!
Espero que gostem da sugestão (testada e aprovada), e claro, adoro quando completam com o vosso conhecimento e experiência o que digo, como aconteceu com Monsaraz !!!!